Categoria: Fábulas

A formiga, a pomba e o caçador

Fábula de Esopo

Uma formiga caiu na água, e teria morrido afogada se uma bondosa pomba não lhe lançasse um ramo de árvore como boia de salvação. Nisso chega um caçador e prepara sua arma para atirar na pomba. A formiga vendo isso, e o perigo que corria a sua benfeitora, apressa o passo e vai dar uma forte picada no pé do caçador, obrigando-o a voltar o rosto e a deixar cair a flecha. Com o ruído que esta fez, a pomba foi avisada do perigo que corria e fugiu.

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O cão e os bois

Fábula de Esopo

Um cão foi deitar-se numa manjedoura cheia de feno, e quando os bois vieram para o estábulo, não os deixou comer. Um dois bois se aproximou para tirar um pouco de feno, mas o cão furioso começou a ladrar e a mostrar os dentes.

– “Animal mesquinho”, disse-lhe o boi, “como és mau! Nem ao menos deixas que me aproveite daquilo que o nosso dono destina para nós e que a ti não te serve para coisa alguma.”

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O pastor e o leão

Fábula de Esopo

A um pastor roubaram um cordeiro e ele, cheio de ira, ofereceu a Júpiter o seu mais gordo cabrito, se encontrasse o ladrão. Ato contínuo viu por entre um arvoredo um grande leão despedaçando o seu cordeiro. Aterrorizado exclamou:

– “Ó altíssimo Júpiter, ofereci-te um cabrito para me concederes a graça de descobrir o ladrão, mas agora prometo sacrificar-te o rebanho inteiro se me salvares das garras do leão.”

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O corvo e a raposa

Fábula de Esopo

Certo corvo roubou um queijo e levou-o para cima de uma árvore. Uma raposa, que viu isso, começou a elogiá-lo com a intenção de lhe tirar o queijo. e dizia-lhe assim:

– “Certamente, formosa ave, não existe entre todos os pássaros quem tenha o esplendor das tuas penas, a tua elegância e beleza. Se a tua voz for tão bela como é o teu corpo, não há quem te iguale.”

O corvo envaideceu-se com este elogio e, querendo mostrar à raposa a harmonia da sua voz, começou a grasnar, caiu-lhe do bico o queijo, que logo a raposa apanhou.

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A rã e o boi

Fábula de Esopo

Uma rã convenceu-se de que poderia ficar tão grande quanto um boi, se conseguisse inchar sua pele. Com esse fim, começou a fazer tanto esforço que daí a pouco já se julgava tão grande quanto um boi, e perguntou às irmãs se tinha crescido o bastante. Responderam-lhe que não, e ela continuou a inchar perguntando de novo que tal estava.

– “É inútil”, responderam as outras, “nunca conseguirás ser maior do que estás.”

Então a rã fez um esforço tremendo, e estourou.

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O lobo e a cegonha

Fábula de Esopo

Um lobo estava comendo um osso que se lhe atravessou na garganta. Viu-se tão aflito que foi pedir a uma cegonha que lho tirasse com seu longo bico, e fez-lhe muitas promessas. A cegonha socorreu-o e depois pediu-lhe que cumprisse sua palavra, ao que o lobo respondeu:

– “Como és tola! Tive a sua cabeça entre os meus dentes, podendo matar-te se quisesse e ainda queres maior recompensa!

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O Pastor mentiroso

Fábula de Esopo

Certo pastor, que apascentava suas ovelhas num monte, divertia-se alarmando os lavradores gritando-lhes que vinha um lobo, e pedindo-lhes socorro. Todos acudiam, mas quando viam que não era verdade voltavam para seu trabalho, convencendo-se por fim que o pastor não queria outra coisa senão troçar com eles.

Aconteceu, no entanto, que uma vez apareceu realmente um lobo e, entrando no rebanho, causou um grande prejuízo porque, por mais que o pastor pedisse socorro em altos brados, ninguém se moveu para ajudá-lo certo que ele queria enganá-los de novo.

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O moço e o ladrão

Fábula de Esopo

Um rapaz estava sentado na borda de um poço e viu que se aproximava um ladrão. Percebendo-lhe a intenção, fingiu que chorava amargamente. O ladrão então perguntou-lhe que motivo tinha para se afligir daquela maneira. O esperto moço disse-lhe que tinha vindo tirar água do poço com um cântaro de ouro, mas a corda havia arrebentado e o cântaro ficara lá embaixo. Assim que o ladrão ouviu isso, despiu a roupa e movido pela cobiça desceu ao poço em procura do que não podia encontrar, porque não existia. O moço então agarrou a roupa do ladrão e desatou a fugir.

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O lobo disfarçado de ovelha

Fábula de Esopo

Um dia, certo lobo disfarçou-se com uma pele de ovelha e assim conseguiu confundir-se no meio do rebanho, matando e devorando muitas delas.

O pastor descobriu-o, capturou-o, e atando-lhe uma corda no pescoço foi pendurá-lo numa árvore que crescia perto da estrada.

Uns pastores que por ali passavam, perguntaram-lhe por que motivo enforcava aquela ovelha. Quando ele lhes mostrou que era um lobo, acharam o castigo muito justo.

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O leão e os quatro bois.

Fábula de Esopo

Quatro bois, que pastavam sempre juntos num prado, juraram eterna amizade; quando o leão os atacava, defendiam-se tão bem, que nunca morria nenhum.

O leão compreendeu que não poderia lutar estando eles unidos, e por isso armou uma intriga, dizendo a cada um em particular que os outros o aborreciam e falavam mal dele. Desta maneira conseguiu infundir suspeitas entre os bois de tal maneira, que finalmente quebraram a aliança e separaram-se. Então o leão os foi comendo um a um e o último boi ao morrer, exclamou:

– “Nós que temos a culpa da nossa morte, pois demos crédito aos maus conselhos do leão, e separamo-nos. Assim, foi-lhe fácil devorar-nos.”

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O leão apaixonado

Fábula de Esopo

Certo leão enamorou-se da filha de um lavrador e desejando casar com ela, foi ter com o pai e pediu-a com todas as formalidades. Como era de se esperar, o bom homem negou-lha, ficando pasmado com a estranha proposta.

A fera não se conformou e pôs-se logo a ranger os dentes e ameaçar a todos. O lavrador então achou mais prudente fingir atender aos desejos do leão, evitando assim o perigo. Disse-lhe então que não via inconveniente algum em lhe ceder a filha, mas era preciso que o leão se deixasse arrancar as unhas e os dentes, para que a donzela não se atemorizasse. O leão tão apaixonado estava que não viu nisso inconveniente algum; mas, assim que o lavrador o viu sem armas, o pôs fora de casa a cacetadas.

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O cavalo e o burro

Fábula de Esopo

Um cavalo e um burro iam caminhando por uma estrada, seguidos pelo dono. O cavalo não levava carga nenhuma, mas a do burro era tão pesada que ele mal podia andar, e por isso pediu ao companheiro que o ajudasse.

O cavalo, egoísta e de má têmpera, negou-se a prestar aquela ajuda e o pobre burro daí a pouco caiu morto no caminho. O dono, então, ainda quis aliviá-lo da carga, mas já era tarde, e por isso teve que passar tudo para cima do cavalo, juntamente com a pele do burro morto.

Assim, o cavalo viu-se obrigado a carregar toda a carga, ainda aumentada.

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Quem põe o guizo no gato?

Fábula de Esopo

A dona de uma cozinha onde habitavam uns ratinhos tinha um formoso gato, tão bom caçador que estava sempre à espreita, de forma que os pobres ratos nem podiam sair dos buracos, nem mesmo no silêncio e na obscuridade da noite, pois tinham muito medo do inimigo.

Não podiam viver assim por mais tempo, pois lhe faltava alimento. Um dia, reuniram-se em um conselho para resolverem um meio de acabar com aquela triste situação, que os condenava irremediavelmente à morte.

– “Vou dizer-lhes o que há de se fazer”, disse um ratinho muito novo. “Ata-se um guizo ao pescoço do gato, e saberemos assim por onde é que ele anda.”

Esta engenhosa proposta fez saltar de alegria todos os ratos; mas um rato já velho e muito esperto observou maliciosamente:

– “Muito bem, mas digam-me lá: quem põe o guizo no pescoço do gato?”

Nenhum respondeu!

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