Categoria: Teatro – 14 anos

Sonho de Uma Noite de Verão

peça de William Shakespeare

tradução e adaptação de Ruth Salles

NOTA

William Shakespeare, um dos maiores dramaturgos de todos os tempos, nasceu no século XVI e morreu no século XVII, tendo deixado, além de dramas históricos, comédias e tragédias, também um volume de sonetos, cujo conteúdo ainda constitui um enigma para os críticos. Com verdadeira genialidade, ele soube elaborar todo tipo de personagens, que vivem no palco desde os sentimentos mais simples até as paixões mais trágicas.

A comédia SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO, como se vê pelo título, supõe-se que foi escrita para uma festa de noite de São João. Deve ter sido composta por volta de 1594, mas só em 1600 é que foi publicada pela primeira vez.

Segundo Almeida Cunha e Oscar Mendes, há várias fontes para esta peça. A história de Teseu e Hipólita está em Plutarco e em Chaucer (“Knight’s Tale”). Vários romances medievais falam de Oberon, e a briga dos reis das fadas parece ter sido inspirada também em Chaucer (“Merchant’s Tale”), sendo que Titânia consta das “Metamorfoses” de Ovídio. A idéia do sumo amoroso se encontra em Jorge de Montemayor (“Diana namorada”), e vemos a história de Píramo e Tisbe de novo em Ovídio e Chaucer.

Continuar lendo “Sonho de Uma Noite de Verão”

Sakuntala

peça de Kalidasa (poeta hindu do século V ou VI)

traduzida e adaptada da versão inglesa de Monier Monier-Williams por Ruth Salles

“Queres as flores da primavera e os frutos do outono?
Queres a serenidade, o enlevo, o encantamento?
Queres, numa só palavra, o céu e a terra? Eu te direi: Sakuntala.”

Goethe

 

NOTA

Kalidasa, o mais bem dotado dos escritores do período clássico da Índia, tornou-se célebre como poeta e como autor dramático, sendo “Sakuntala” considerada sua obra-prima. Essa peça foi traduzida para o inglês, pela primeira vez, pelo orientalista Sir William Jones e ganhou a profunda admiração de Goethe.
O teatro hindu em seu apogeu, entre os séculos IV e VIII, tinha sempre um fundo religioso. Os épicos sacros “Mahabhârata” e “Ramayana” eram as principais fontes de inspiração dos autores, e a figura do eremita era muito admirada. Esta peça se baseia justamente na lenda do mesmo nome, existente no primeiro desses épicos, que narra a história de Ducianta e Sakuntala, pais do futuro rei Bhârata.

Continuar lendo “Sakuntala”

Pigmaleão

peça de Bernard Shaw

adaptação de Ruth Salles
baseada na tradução e adaptação de Miroel Silveira (anos 40)

NOTA

George Bernard Shaw (1856-1950) foi um importante escritor irlandês, que lutou pelos direitos das mulheres e contra a exploração das classes trabalhadoras. Foi jornalista, ensaísta, romancista e dramaturgo. Em 1925 lhe foi concedido o Prêmio Nobel de Literatura, que ele queria recusar, por não gostar de honrarias públicas. Sua esposa, contudo, conseguiu que ele o aceitasse como homenagem à sua terra, Irlanda. A quantia, porém, ele rejeitou, pedindo que fosse empregada para financiar a tradução de livros suecos para o inglês.

Duas grandes peças de Bernard Shaw foram “Santa Joana” (sobre Joana D’Arc) e Pigmaleão. A palavra Pigmaleão provém de uma figura da mitologia, um homem que não apreciava mulher alguma e que esculpiu uma como ele a concebia. Apaixonando-se por ela, conseguiu dar-lhe vida. A peça de Shaw é a história de um especialista em fonética que descobre uma florista ambulante, quase mendiga, cujo palavreado consta de muitas gírias. Num desafio a si próprio e a um amigo, decide transformá-la numa dama de alta classe. Em “Pigmaleão”, também foi baseado o conhecido filme “My Fair Lady”.

Continuar lendo “Pigmaleão”

Peer Gynt

peça de Henrik Ibsen

Pequeno arranjo de Ruth Salles
sobre a adaptação do original feita para o Colégio Micael,
por:
Ana Cândida M. Zaeslin,
Roberto Mello da Costa Pinto,
Marilda Alface,
Riva Liberman,
Sueli Passerini.

NOTA SOBRE HENRIK IBSEN E SOBRE PEER GYNT

Henrik Ibsen, poeta e dramaturgo norueguês, nasceu em Skien em 1828 e morreu em Christiania (hoje Oslo) em 1906. Foi autor de dramas notáveis, como Casa de Bonecas, Brand e outros. Seu poema dramático Peer Gynt, embora escrito originalmente apenas para ser lido, tornou-se um sucesso teatral tanto na Noruega como em outros países, depois da inclusão da música de Eduard Grieg na peça.

Peer Gynt trata do caminho do ser humano da juventude até a velhice e da luta da alma entre os impulsos instintivos e a auto-consciência. Esse drama demonstra que mesmo um pecador, através do arrependimento sincero, pode alcançar o perdão de Deus. Peer tenta encontrar a si mesmo, e seus conflitos interiores o levam a aventuras fantásticas. Duas mulheres o amam e amparam: sua mãe Aase – para quem ele é sempre uma criança – e Solveig, que vai viver com Peer, o qual fora banido da sociedade. Peer foge e, depois de uma longa vida de experiências de cunho instintivo, alcança por fim a auto-consciência e volta para Solveig, que é fiel em sua espera porque o compreende profundamente e enxerga sua bondade inata. Assim, as orações de Solveig o livram de seus pecados, e ele renasce espiritualmente. A Mulher de Verde, os Trolls e Anitra representam instintos e desejos. A auto-reflexão de Peer ao descascar a cebola e a explosão de desespero um pouco antes do encontro com Solveig são considerados os pontos altos da poesia do drama.

Continuar lendo “Peer Gynt”

Na Praça de Toda Gente

peça de Heloisa Borges da Costa

baseada na peça “O Natal na Praça” de Henri Guéon
revisão e colaboração de Ruth Salles

NOTA

Esta peça resultou de uma transformação feita, pela professora Heloisa Borges da Costa, na peça “O Natal na praça” do autor francês Henri Ghéon.

Henri Guéon foi poeta, dramaturgo e crítico literário francês, amigo de André Gide e outros escritores. Sendo também médico, foi para o front na primeira Guerra Mundial, quando então se tornou fervorosamente religioso, converteu-se ao catolicismo e passou a escrever principalmente peças sobre histórias sacras. Morreu em Paris, ainda durante a ocupação nazista da Segunda Guerra Mundial, e não se tornou muito conhecido, dizem que devido ao aspecto religioso dado à sua obra literária.

A professora Heloísa contou com minha colaboração, e as mudanças feitas por ela, na peça de Henri Guéon, tinham como intenção servir, pedagogicamente, às necessidades de sua classe. Também contamos com as preciosas sugestões da diretora da peça, Claudia Apostolo e do artista Adriano Raphaelli.

Procuramos obter músicas ciganas, já que a peça trata de um grupo de ciganos que resolve representar o Natal na praça de um vilarejo.

Ruth Salles

Continuar lendo “Na Praça de Toda Gente”

Orfeu

peça de Claudio Monteverdi

versão para o português de Ruth Salles
a partir da tradução de Mechthild Vargas (Meca)

ORFEU
Claudio Monteverdi

Claudio Monteverdi foi considerado o maior compositor italiano de sua geração e grande operista. Nasceu em Cremona, em 1567, e faleceu em Veneza, em 1643. “Orfeu”, uma das primeiras óperas que foram criadas no mundo, foi representada pela primeira vez em Mântua, em 1607. Não se sabe quem escreveu o libreto, mas é atribuído a Rinuccini.

Graças à tradução literal do italiano feita por Mechthild Vargas (Meca), professora de música, recriei o libreto em português, em 1993, para o 8º ano da professora Ana Flora do Nascimento Amado. Por escolha das duas professoras, alguns trechos, em vez de cantados foram falados.

Ruth Salles

Continuar lendo “Orfeu”

O Sábio Tchu-Hi

peça de Detlev Putzar

tradução de Martha Maria Walsberg
revisão e adaptação Maria Barbara Trommer e Ruth Salles

NOTA

Esta peça foi preparada para o 8º ano de Annelvira Gabarra, em 1994. Como estava muito longa, procurei agora concentrá-la um pouco mais. Há duas canções que precisariam de uma melodia oriental.

Na primeira versão, Annelvira e eu deixamos a seguinte observação:

É interessante notar que no livro I Ching, traduzido por Richard Wilhelm e prefaciado por Carl Jung, lemos que essa sabedoria, de no mínimo cinco mil anos, foi compilada há três mil e cem anos pelos sábios Wen e Chou, sendo este um dos fundadores da dinastia Chou. Tal sabedoria chamava-se originalmente I, e só mais tarde recebeu as denominações de Chou I e de I Ching. Somos então levados a indagar, entre maravilhados e surpresos: Teria o termo Chou I (nome do sábio e da sabedoria compilada) algo a ver com o sábio Tchu-hi desta peça, o qual também compilou as regras e os costumes antigos para o povo chinês? Deixamos a resposta para quem a souber dar.

Ruth Salles

Continuar lendo “O Sábio Tchu-Hi”

O Príncipe e o Mendigo

peça de Mark Twain 

adaptação para teatro de Ruth Salles

O PRÍNCIPE E O MENDIGO

Esta peça baseia-se na obra homônima do escritor americano Mark Twain sobre a lenda que envolve a história do rei Eduardo VI da Inglaterra. Eduardo VI, que viveu no século XVI, morreu muito jovem, tendo reinado apenas por 6 anos. Sua irmã Maria Túdor reinou em seguida, mas morreu após 5 anos, quando então subiu ao trono a rainha Elisabeth.

Tal como no “Conto de Natal” de Dickens, procurei transmitir o estilo de Mark Twain na Introdução, tentando até manter suas palavras nos trechos falados pelo Autor e pelo Narrador. A peça tem muitas personagens; por causa disso, vários alunos podem desempenhar mais de um papel, pois as situações são bastante variadas, com falas curtas e muito movimento. A escolha desses desempenhos duplos fica a critério do professor, mas faço algumas sugestões. Quanto à música, adaptei letras em português a músicas inglesas do século elisabetano.

Ruth Salles

Continuar lendo “O Príncipe e o Mendigo”

Parsifal

texto de Antonio Clarete Gomes

adaptação de Ruth Salles

Orientação de Dra. Sonia Setzer

Alterações para a encenação do 8º ano B de 2010 por
Gláucia Libertini e Barbara Margelli Silva

peça baseada em:

PERCEVAL ou O Romance do Graal, de Chrétien de Troyes;
PARSIFAL, de Wolfram von Eschenbach
(em tradução de A. R. Schmidt Patier);
PERCEVAL, peça de Albert Gerard Klockenbring
(em tradução de Ruth Salles).

Continuar lendo “Parsifal”

Guilherme Tell

peça de Friedrich Von Schiller

adaptação de Ruth Salles

NOTA

Friedrich von Schiller, escritor, poeta trágico e historiador alemão do século XVIII, foi o autor de várias peças de teatro notáveis, como “A Donzela de Orleans”, “Maria Stuart” e outras. Amigo e admirador de Goethe, Schiller foi um dos maiores escritores românticos da Alemanha. “Guilherme Tell”, escrita em 1804, conta a história do grande herói suíço, e foi considerada por muitos como a melhor obra dramática de Schiller.

Esta peça foi adaptada a partir do original alemão em versos e da tradução em prosa de Sílvio Meira para o português. Por ser excessivamente longa, condensei-a um pouco para a classe de 1989,a fim de que durasse 2 horas. Para a classe de 2005, mais alguma redução será feita.
A canção existente no meio na cena 1 do terceiro ato é original da peça, e o nome do autor na melodia não consta do texto. A canção do início da peça, não foi encontrada, por isso tive de compor outra, o mais possível à maneira suíça.

Ruth Salles

Continuar lendo “Guilherme Tell”

A Flauta Mágica

peça de W. A. Mozart

versão da tradução do libreto para o português: Ruth Salles

NOTAS a respeito da ópera A FLAUTA MÁGICA
de
Wolfgang Amadeus Mozart

(da versão de 1983)

Mozart, genial compositor austríaco, nasceu em Salzburg, em 27 de janeiro de 1756, e faleceu em Viena, em 5 de dezembro de 1791. Dotado de grande precocidade musical, esse mestre é autor de muitas obras-primas, apesar de ter morrido tão cedo, antes de completar 36 anos de idade.

“A Flauta Mágica” consta ter sido a última obra de Mozart, composta no ano de sua morte. Ela conta a história de um príncipe, Tamino, que, acompanhado de Papageno, um caçador de pássaros, vai em busca de sua amada Pamina, filha da Rainha da Noite e do grão-sacerdote Sarastro. Depois de várias peripécias, Papageno encontra uma velha que se transforma na jovem Papagena, enquanto Tamino e Pamina passam por provas de fogo e água, protegidos pela flauta mágica, a fim de serem purificados e de merecerem um ao outro. No fim, a Rainha da Noite, suas damas e Monostatos são expulsos, enquanto Tamino e Pamina recebem as bênçãos de Sarastro e de todos os sacerdotes do Círculo do Sol de Ísis e Osíris. Continuar lendo “A Flauta Mágica”

A Donzela de Orléans

peça de Friedrich Von Schiller

adaptação em prosa e verso de Ruth Salles

a partir da tradução literal completa de Julia de Mello e Souza

NOTA

Joana d’Arc, aos 17 anos, guiou o exército de uma nação. Com isso, a França encontrou-se a si própria, o mapa da Europa transformou-se, e a Inglaterra se voltou para sua própria missão no mundo. Sentindo-se instrumento da vontade divina, Joana não vacilou em seu propósito, mostrando como um ser humano, ao ser esmagado pela missão à qual se mantém fiel, ainda assim é um vencedor, capaz de guiar-se a si próprio e realizar a tarefa que lhe coube.

Friedrich von Schiller, grande escritor, poeta trágico e historiador alemão, nasceu em Marbach, em 1759, e morreu em Weimar, em 1805.

Esta peça, “A Donzela de Orléans”, sobre a vida de Joana d’Arc, é uma tragédia romântica. Por se tratar de uma peça muito longa, esta, agora, é uma tentativa de condensá-la, com alguns trechos em versos, procurando, o mais possível respeitar o poeta. No convite para a primeira apresentação, feita em alemão, consta o seguinte comentário: Continuar lendo “A Donzela de Orléans”