Peça de História para Euritmia

peça de Ruth Salles 

Nota – Estão entre aspas: na parte da Atlântida, o trecho de um manuscrito maia existente no British Museum, e notas do Códice Boturini, século XVI; na parte da Índia, um hino dos brâmanes e citações do
“Bhagavad Gîtâ”; na parte do Egito, trechos do “Hino ao Sol” do faraó Amenófis IV, chamado Akhenáton. Os versos dos gregos, procurei fazê-los em hexâmetros gregos, às vezes em pentâmetros.

ATLÂNTIDA

(Os alunos que fazem a Voz do Tempo e a Voz dos Astecas deveriam mover-se num plano separado, talvez mais alto, sendo mitos-extra.)

VOZ DO TEMPO (manuscrito maia):
– “No ano 6 de Khan,
11 de Muluk,
mês de Zac,
até o 11 de Chuen,
tivemos notícias de tremendos tremores de terra,
e então a Atlântida teve seu término.”

VOZ DOS ASTECAS (Códice Boturini – século XVI):
– Esperem! Esperem! Nós somos os mexicas!
Dizem os nossos mitos
que antigamente nos chamavam de astecas,
das sete tribos fugidas da ilha de Aztlán,
que tremeu e afundou nas águas.
E a data foi 1, pedernal. Sim, 1, pedernal!

ATLANTES:
– Atlântida, Atlântida, os gelos degelam,
esgotam-se em águas que engolem a terra!
Manu!
Ó mestre Manu!
As nossas vidas precisam ser salvas!

MANU:
– Deixem magias e joias!
Larguem os belos palácios!

ATLANTES DA MAGIA:
– Não! Isso, não!
Jamais deixaremos!
Oh, as águas vêm vindo,
vêm vindo! Ooohhh!

MANU:
– Somente me seguem atlantes conscientes!
Venham!
Embarquem na barca levando sementes.

TODOS:
– Na beira da baía,
movem-se as marolas.
Descem e dão nas docas,
que nem náiades, ninfas,
e rolam, rolam,
e logo voltam.
As águas engolem os grãos de areia nas ondas,
e chamam a espuma: ch…ch…ch…
e fogem para fora.
Surgem algumas ilhas,
mas cedem de novo, e somem.
Nada mais temos da antiga Atlântida.
Fujamos até bem longe,
navegando, navegando,
até a entrada de outra terra.

ÍNDIA

OS TRÊS DEUSES (Trimurti) (aos atlantes que chegam):
– Bem-vindos!
Dobrem os joelhos diante do deus da Índia!
Somos o Trimurti, somos três em Um, somos o Todo!

BRAHMA:
– Recebam a bênção de Brahma,
o criador de todas as coisas.
Eu respirei e soprei todos os mundos,
astros, pedras, plantas, animais
e todos os seres humanos.

VISHNU:
– Quem ouve a voz de Vishnu,
sabe que sou o cuidador de tudo que foi criado.

SHIVA:
– Shiva tem a chave do eterno.
Eu restauro tudo o que morre.

OS TRÊS (o hino brâmane é cantado):
– “Que o Senhor do Universo
vos proteja e seja sempre
misericordioso, sob sete formas:
como o sol e a lua regulando o tempo;
como o fogo levando ao céu o incenso;
como o espaço infinito onde vibram os cantos de amor;
como o ar e a água mantendo a vida;
como a terra que é mãe, oh, oh, mãe,
oh-ôh, e nutriz de todo germe! Que o Senhor vos proteja!”

VISHNU:
– O oitavo avatar de Vishnu foi Krishna,
Pelos caminhos da vida,
ele é o condutor dos carros dos homens.

KRISHNA:
– “O homem bom é como a árvore do sândalo,
que perfuma o machado que a fere.
Entre as estrelas sou o Sol, entre os astros sou a Lua.
Eu sou aquele cuja face se volta para todos os lados. (movimento do rosto)
Entre as letras sou o A (movimento dos braços).
Entre as palavras sou a conjunção (dando as mãos a todos).
Eu sou aquele cuja face se volta para todos os lados (movimento)
Eu sou a harmonia dos sons…
Eu sou o vento do ar…
Eu sou o esplendor do fogo…
Eu sou o sabor da água…
Eu sou o perfume sagrado da terra…”

ATLANTES:
– Saudamos o sagrado Trimurti então.
E que alguém nos ensine a meditação.
e nos mostre o caminho que vá bem alto,
nas montanhas onde os deuses decerto estão.

BUDA:
– Ouçam-me! Eu sou Sidarta Gautama!
Eu rejeitei a nobreza humana.
Tornei-me um Buda, o Iluminado.
Um pouco do amor que há em minha luz
mais tarde será por mim doado
à criança divina chamada Jesus.
Ouçam hoje este ensinamento,
ó atlantes, viajantes do tempo!
São oito os passos para a estrada certa
O primeiro passo é a ação correta.
E, para vocês, a mais correta ação
não é, agora, a meditação
nem em busca dos deuses caminhar,
mas sim pisar bem os pés na terra
e buscar um bom solo para plantar.
O solo sempre deve ser lembrado.
Quem vive precisa ser alimentado.
Plantem e cuidem do solo abençoado!

ATLANTES:
– Vamos então ao Buda obedecer.
Adeus, amigos! Até mais ver!

PÉRSIA

VOZ DO POVO DA PÉRSIA:
– A Pérsia espera pelos seus passos.
A Pérsia do povo que ensina o plantio.

AHURA MAZDAO:
– Sou Ahura Mazdao, o deus da luz, brilhante!
Trago os raios do sol ao solo num instante!
Trago o véu da chuva e o vento veloz.
E o povo da Pérsia então se espanta
ao ver aumentar a força da planta.

VOZ DO POVO DA PÉRSIA:
– Ai… Contra o deus da luz, que nasce de manhã,
há o atroz deus das trevas: Árimã!
Ele está sempre tentando vencer
Ahura Mazdao com seu poder.

AHURA MAZDAO:
– Mas essa vitória não foi conquistada,
pois nasceu para os persas a Estrela Dourada,
a criança que ao nascer, em vez de chorar,
riu sonoramente:
Zaratustra!

ZARATUSTRA:
– O mensageiro de Ahura Mazdao
levou-me ao reino dos céus.
O que aprendi com os anjos, eu, Zaratustra,
passei aos discípulos meus.

VOZ DO POVO DA PÉRSIA:
– Na Pérsia,
mais tarde os magos que estudam os astros,
seguindo a Estrela Dourada de grande luz,
vão levar a Belém da Judeia,
a sabedoria de Zaratustra
e abençoar com ela
a criança divina chamada Jesus.

ZARATUSTRA:
– É em rudes cabanas que nós vivemos.
Moradias melhores ainda não temos.
Busquem a terra onde o povo já pensa,
já vive em casas e inicia a ciência.

ATLANTES:
– Adeus, povo da Pérsia! Nós seguiremos!

BABILÔNIA

VOZ DO POVO DA BABILÔNIA:
– Bem-vindos à Mesopotâmia,
“terra no meio, entre dois rios”,
de um lado o Eufrates, do outro lado o Tigre.
Quando os rios se enchem, o campo se alaga
e vê-se a lama por tudo estendida.
E desse barro constroem-se casas, muralhas, avenidas
e zigurates, espécie de torre que nós, babilônios,
erguemos bem alto na Mesopotâmia.

VOZ DE EA:
– Eu sou Ea,
o deus da Sabedoria.
Minha veste é o Sol.
Eu dei a meu povo a ciência da escrita
gravada com cunhas em placas de argila.
Meu filho, o herói Gilgamesh,
tem sua história assim conservada.

VOZ DOS POVOS DA BABILÔNIA:
– Temos também a ciência dos astros no céu.
Sabemos que um ano tem doze meses,
o mês tem quatro semanas,
a semana tem sete dias,
a hora do dia tem sessenta minutos,
e cada minuto, sessenta segundos.
A ampulheta,
por onde escorre a areia do tempo,
nós a criamos.

ATLANTES:
– Agradecemos por sua ciência.
Muito aprendemos! Seguimos viagem,
pois tem muitos passos a nossa passagem.

EGITO

VOZ DO POVO DO EGITO:
– Sejam bem-vindos ao Egito,
deserto de areia e mistério.
Pois em agosto, o manso rio Nilo
desce turbulento
e transborda na secura da terra.
Abrimos canais, irrigamos o solo,
e a água é tanta
que podemos plantar tudo que é planta.
Desenhamos hieróglifos em papiros
e deixamos assim registrados nossos escritos.

VOZ DOS FARAÓS:
– Somos os faraós, os reis do Egito.
Adoramos os deuses
Ra,
Amón,
Osíris, Ísis e Hórus.
Temos templos de mistérios para ensinar os homens:
poderosas pirâmides.
E a esfinge que faz perguntas
que ninguém decifra, ninguém responde.

VOZ DO FARAÓ AKHENÁTON:
– Sou o faraó Amenófis IV!
Eu deveria ter nascido muito mais tarde,
porque só creio em um deus: Áton,
que manda sua bênção pelos raios do sol.
Por isso fui chamado Akhenáton.
Um dia, um dia,
algum povo me entenderá.
Honrei com um hino a grandeza de Áton no sol.

VOZ DO HINO AO SOL DE AKHENÁTON (trecho):
– “Disco vivo,
Criador de vida,
no horizonte do Oriente tu te levantas,
concedes tua plenitude ao país inteiro.
Tu te deitas no horizonte do Ocidente.
O universo vai dormir em trevas,
pois a treva reina como dona da Terra,
enquanto seu Criador descansa no Ocidente.
Tu te levantas na aurora do horizonte.
Tu, Disco brilhante, refulges no dia.
Tu iluminas as trevas.”

VOZ DE AKHENÁTON:
– Continuem caminhando
em busca da terra de mais ensinamento.
Todos precisam aprender a conhecer a terra.

GRÉCIA

VOZ DOS GREGOS DE ATENAS:
– Hoje, aos atlantes, viajantes que chegam de longe,
Grécia dará sua ajuda. Esta é a cidade de Atenas,
onde a democracia cuida da vida dos homens,
graças a Péricles, nosso arconte que rege com as leis,
leis que o sábio Sólon criou para o povo de Atenas.
Lá na cidade de Esparta a lei de Licurgo é mais dura.

VOZ DE PÉRICLES:
– Entrem, altivos atlantes, que vêm de terra distante.
Entrem na terra da arte. Fídias, o grande arquiteto,
fez na colina de Acrópole, o belo Parténon,
para morada de Palas-Atena, filha de Zeus.
Zeus é o maior dos deuses, raiz da terra e dos astros.

VOZ DE HIPÓCRATES:
– Eu sou o médico Hipócrates, sigo o famoso Esculápio.
Filho de um deus, ele curava as dores dos homens.

VOZ DE HOMERO:
– Eu sou Homero, o cego cantor das antigas histórias.
Fábulas fez o Esopo, escravo de grande renome.
Criamos o alfabeto, e Sócrates é o grande filósofo.
E o notável Heródoto, conta a História dos povos.

ATLANTES:
– Mestre Heródoto, ouvimos falar da Magna Grécia.
Se ela existe, onde é que se encontra?

VOZ DE HERÓDOTO:
– Magna Grécia existe, muitos gregos migraram.
Hoje residem lá. Fica no sul da Itália,
uma península a oeste da Grécia e de Atenas.

VOZ DOS ATLANTES:
– Pois quando os deuses quiserem,
iremos a essa península.
Sejam louvadas todas as terras que conhecemos.
Amigos, enquanto o destino
não nos mandar seguir, aqui ficaremos.
Pois a palavra dos filósofos nos faz pensar.
A beleza da arte dos leva a sentir.
A justiça das leis nos ensina a querer e a agir.

 

F I M