A praia

poema no ritmo Anfibráquio (curto-longo-curto)

de Ruth Salles

Anfibráquio: v___ v (curto-longo-curto). Dá limites à criança: retrai, solta, retrai.

A PRAIA

Defronte
dos montes,
às margens
do mar,
que praia
tão clara!
Que luzes!
Que sol!

As ondas
balançam
nas redes
do vento,
canoas
navegam
nas águas
azuis.

Às vezes
os remos,
batendo
nas ondas,
abrindo
caminho
no cimo
das águas,

espantam
no fundo
cardumes
de peixes
que, loucos,
rabeiam,
volteiam,
flutuam.

Que praia
tão bela!
Vêm vindo
canoas,
que voam
descendo
na volta
das vagas.

Que brancas
espumas
se espalham,
se escapam
do verde
das ondas
que rolam
na praia!

Subindo
serenas,
que claras
areias,
cercadas
de pedras,
de bichos,
de plantas!

Nos matos,
amoras.
Nos bosques,
nas sombras,
vermelhas
pitangas,
dourados
cajus.

Dos lados,
nas pontas,
as pedras
da praia,
grudadas
de conchas,
cobertas
de cracas;

e as águas
das ondas
espirram
espumas,
alisam
as pedras,
que ficam
redondas.

Que praia
tão bela!
Que claras
areias,
defronte
dos montes,
às margens
do mar!

Que leves
canoas
vêm vindo
nas águas!
Que cores!
Que sombras!
Que luzes!
Que sol!

***