Corujas

poema Ruth Salles

As luzes da lua
clareiam as sombras,
e as vozes das aves
que voam nas noites
escuras, escuras,
suspiram, sussurram:
“Mu-ru-cu-tu-tu…”

Nas torres, nos ramos
das árvores quietas,
serenas corujas
dos olhos redondos
espiam, espiam,
espreitam, espreitam.
“Mu-ru-cu-tu-tu…”

Barulhos, rumores
no passo das horas,
são leves, são poucos,
mas sempre essas aves
escutam, escutam,
espiam, espiam.
“Mu-ru-cu-tu-tu…”

As asas levantam
– que noite de espantos! –
Seu vôo em silêncio…
Seu vôo em segredo…
Deslizam na noite
dois olhos acesos!
“Mu-ru-cu-tu-tu…”

 

 

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