Categoria: BLOG DA RUTH

Artigos e crônicas de Ruth Salles e outros colaboradores. Ruth Salles há 50 anos se dedica a criar, traduzir e adaptar poemas, histórias, peças de teatro e livros para todas as séries do ensino fundamental da Escola Waldorf Rudolf Steiner, de São Paulo. Milhares de crianças desta e de outras escolas Waldorf no Brasil, e em outros países de língua portuguesa, tiveram sua educação enriquecida pelo seu trabalho.

O Cristo Redentor do Corcovado

por Ruth Salles

escrito para crianças que foram subir ao Corcovado

Desenho de lousa da professora Juliana Nogueira

Vocês sabiam que as antigas comunidades de cristãos ignoravam o dia do nascimento de Jesus?

Pois ficou então decidido escolher uma data, e a data escolhida foi 25 de dezembro, para substituir a festa com que os romanos comemoravam o nascimento do sol invencível (Natalis solis invictus), que desaparece à noite e ressurge de manhã. E, daí por diante, o nascimento de Jesus, que morreu e ressurgiu, é festejado nesse dia.
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A linguagem da Grande Verdade

por Ruth Salles

Há tempos mergulhei no livro “O Tao da Física”, de Fritjof Capra, e li sobre a diferença entre a Física clássica e a Física quântica: o universo de Newton, formado de partículas atômicas materiais, e o universo de físicos posteriores formado de ondículas subatômicas. Até caçoavam de Einstein (não nesse livro), dizendo que, para ele, o universo era constituído de partículas às segundas, quartas e sextas, e de ondículas às terças, quintas e sábados. Para ver como a cabeça dos físicos sofria com as novas descobertas. A minha, então, sem ser cabeça de físico, rodou como um pião.

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Einstein os Hindus e Eu

por Ruth Salles

Parece-me que a maioria das pessoas imagina Deus como uma espécie de um ser diferente, mas como se fosse meio humano. Quando muito jovem, veio-me a ideia de Deus como algo esférico, porque a esfera é a forma mais perfeita que existe. Então contemplei estática essa ideia e me pareceu que a esfera era um ponto, um foco de luz no centro do espaço, e que, por vontade de se expandir (e expandir-se é amar) emitiu o universo, que ficou como que na periferia de uma grande esfera, como imagem refletida desse foco de luz, dessa Força Primordial. Pois não é que, anos depois, ao ler um livrinho para leigos chamado “O Universo e o Doutor Einstein”, encontrei lá essa ideia de universo como que na periferia de uma espécie de esfera, e que esse universo está em expansão e que depois haverá uma retração. Lendo então sobre os hindus, aprendi que, no deus Brahma, o universo é sua respiração. Ele o expira depois o inspira, havendo então uma parada chamada pralaya. Achei estranha essa semelhança entre os hindus e Einstein. Gostei tanto dessa ideia que me senti como um pontinho refletido da expansão da Força primordial, sendo o universo como que um espelho dessa Força. Há anos, contando isso a alguns netos, uma neta de 14 anos disse: “Vó, gostei da sua ideia de Deus redondinho.”

 

Carta a uma embaúba

por Pedro Paulo Salles

Integra o livro “Do Mulungu ao Manacá”, de Ruth Salles

Desenho de Pedro Paulo Salles

Querida Embaúba. Tão bela és tu, em teu porte esguio, arejado e fino, diferente de outras árvores em suas formas e folhas,… que até me inspiro a te escrever – em palavras de gente – neste seu dia. Árvores como você são muito importantes para as aves e outros animais… E vice-versa, é claro!… Sei que você produz uma grande quantidade de frutos escuros e alongados (parecem bananinhas, não é mesmo?), que há muito tempo são o alimento preferido do Macaco-Prego e das Preguiças, que te escalam diariamente (imagino as cócegas…), mas também de muitas outras espécies. Os teus grãos geram milhões de sementes e sua dispersão é feita por inúmeros vertebrados. Segundo dados da Embrapa (sabes o que é?…), você é uma das árvores com o maior número de animais dispersores da floresta. São aves, morcegos, macacos, preguiças e mais uma infinidade de seres que se alimentam de seus frutos e saem a fecundar a floresta com suas sementes…
Assim é!

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Modo de educar filhos

por Ruth Salles

Meu marido um dia comentou que eu tinha um modo engraçado de educar os filhos, um modo meio diferente.

Mas é porque um filho é diferente do outro. Dependendo de qual fizesse uma travessura, com um eu conversava calmamente, outro levava uma bronca séria, mas sem gritos, outro eu pegava pela mão e dizia: “Vamos ficar um pouco nós dois sentados no sofá para descansar.”

Uma noite, na hora de ir dormir, um, ainda pequeno, se rebelou e se jogou no chão esperneando. Fiquei tranquilamente sentada no sofá, observando-o quieta, até que ele ficou cansado de espernear, olhou para mim… e foi dormir.

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Reportagens sobre o livro “Do Mulungu ao Manacá” na Globo News

Entrevista com Ruth Salles

Em 15/10 de 2018 foi ao ar na Globo News uma reportagem da jornalista Elisabete Pacheco sobre o livro “Do Mulungu ao Manacá”, de Ruth Salles, que foi ilustrado pelos alunos da Escola Waldorf Rudolf Steiner. A jornalista entrevistou Ruth Salles e visitou a escola, onde entrevistou alunos e professores que participaram do projeto. O título da reportagem diz que os alunos ajudaram a escrever e ilustrar o livro, mas sua participação foi na ilustração.  https://goo.gl/MzkoGo

Quem foi que inventou o Brasil?

por Ruth Salles

“Quem foi que inventou o Brasil?
Foi seu Cabral, foi seu Cabral…”

Desenho de lousa da professora Ana Beatriz Ghirello.

Em 1934, era o que dizia a marchinha carnavalesca de Lamartine Babo. Só que não foi Cabral. Muitos anos antes esta nossa terra já era conhecida pelos navegantes celtas, que deram a ela o nome de Hy Bresail ou O’Brasil, que queria dizer, a partir da raiz celta “bress”, terra da boa sorte. No livro de Gustavo Barroso “Nos Bastidores da História do Brasil” já se fala disso, e o historiador Robert Southey também disse que o nome de Santa Cruz, dado pelo rei dom Manuel, não pegou porque a terra já era há muito tempo conhecida pelo nome de Brasil. Continuar lendo “Quem foi que inventou o Brasil?”

Contemplando – “Des-cobrindo”

por Ruth Salles

A meditação chamada Pedra Fundamental, de Rudolf Steiner, se refere aos pobres corações de pastores e às sábias cabeças de reis. A expressão pobres corações de pastores está ligada à linha dos contemplativos, em oposição à linha reflexiva, conclusiva, das sábias cabeças de reis, dos que trilham o caminho dos sábios magos. Os magos estudaram os astros, concluíram a época do nascimento do Messias, depois viajaram até Belém. Já os pastores estavam no campo, olhando distraídos as estrelas, até mesmo sem vê-las, quando a revelação do anjo lhes chega, quer dizer a face de Deus (os anjos) tira seu véu, descobre-se. É o sentido da palavra descoberta. E os pastores ouvem: “Hoje vos nasceu na cidade de Davi um Salvador, que é Cristo Senhor… encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada numa manjedoura”. Eles simplesmente correm e acham o Menino. Continuar lendo “Contemplando – “Des-cobrindo””

Quem somos?

por Ruth Salles

 

Deus nos cria, nos emana dele como o sol emana seus raios. Cada raio emanado por Deus é um ser criado por Ele. A essa centelha divina damos vários nomes, conforme a crença, mas o nome mais conhecido é alma. Na ioga se fala em ser central, e também chamamos a alma de Eu superior, ou Eu verdadeiro. Porém quando esse Eu verdadeiro, essa alma, nasce como ser humano, é de tal forma “envelopado” pelo seu corpo físico ou mineral, pelo seu corpo orgânico ou vegetal (ou corpo ilusório onde circula o prana, no dizer nos hindus) e pelo seu corpo emocional ou animal (ou corpo ilusório de desejos, no dizer dos hindus), que ele próprio mal se reconhece. Quando criancinhas, nós nos acostumamos a sentir nossa estrutura corpórea, a mover a cabeça, as pernas e os braços; depois percebemos o comportamento de nosso organismo, a digestão, a dor de barriga, a dor de cabeça, percebemos que podemos ver, ouvir, etc… Continuar lendo “Quem somos?”

Sobre a oração do Pai Nosso

De fontes várias, inclusive de mim mesma.

por Ruth Salles

Desde muito jovem, imaginei o que chamamos Deus como um ponto central no espaço que, em dado momento, se expandiu doando-se a si mesmo e gerando o universo na periferia de uma imensa esfera, como se esse universo fosse o reflexo, o espelho desse Ser criador. Anos depois li, num livrinho para leigos sobre Einstein, que o universo está na periferia de uma espécie de esfera, e que ele está em expansão e depois deverá haver uma retração. Ora, isso é o mesmo que dizem os hindus a respeito de Brahma: que o universo é a sua respiração; que ele expira e depois inspira o universo. Daí, fiquei muito contente, achando que Einstein, os hindus e eu estávamos de acordo! Que jovenzinha metida eu era!

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O que contam sobre São Micael os camponeses da Normandia

Lenda francesa de uma coleção de Nora Stein

traduzida do espanhol por Ruth Salles

Há muito tempo, São Micael e o Diabo eram quase vizinhos e, numa noite de inverno, estando ambos sentados lado a lado, aborreceram-se um com o outro. Satanás vangloriou-se, dizendo que seu poder era ilimitado, e São Micael por sua vez replicou, dizendo que somente Deus era Todo-poderoso.

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