Categoria: BLOG DA RUTH

Artigos e crônicas de Ruth Salles e outros colaboradores. Ruth Salles há 50 anos se dedica a criar, traduzir e adaptar poemas, histórias, peças de teatro e livros para todas as séries do ensino fundamental da Escola Waldorf Rudolf Steiner, de São Paulo. Milhares de crianças desta e de outras escolas Waldorf no Brasil, e em outros países de língua portuguesa, tiveram sua educação enriquecida pelo seu trabalho.

Reportagens sobre o livro “Do Mulungu ao Manacá” na Globo News

Entrevista com Ruth Salles

Em 15/10 de 2018 foi ao ar na Globo News uma reportagem da jornalista Elisabete Pacheco sobre o livro “Do Mulungu ao Manacá”, de Ruth Salles, que foi ilustrado pelos alunos da Escola Waldorf Rudolf Steiner. A jornalista entrevistou Ruth Salles e visitou a escola, onde entrevistou alunos e professores que participaram do projeto. O título da reportagem diz que os alunos ajudaram a escrever e ilustrar o livro, mas sua participação foi na ilustração.  https://goo.gl/MzkoGo

Quem foi que inventou o Brasil?

por Ruth Salles

“Quem foi que inventou o Brasil?
Foi seu Cabral, foi seu Cabral…”

Desenho de lousa da professora Ana Beatriz Ghirello.

Em 1934, era o que dizia a marchinha carnavalesca de Lamartine Babo. Só que não foi Cabral. Muitos anos antes esta nossa terra já era conhecida pelos navegantes celtas, que deram a ela o nome de Hy Bresail ou O’Brasil, que queria dizer, a partir da raiz celta “bress”, terra da boa sorte. No livro de Gustavo Barroso “Nos Bastidores da História do Brasil” já se fala disso, e o historiador Robert Southey também disse que o nome de Santa Cruz, dado pelo rei dom Manuel, não pegou porque a terra já era há muito tempo conhecida pelo nome de Brasil. Continuar lendo “Quem foi que inventou o Brasil?”

Contemplando – “Des-cobrindo”

por Ruth Salles

A meditação chamada Pedra Fundamental, de Rudolf Steiner, se refere aos pobres corações de pastores e às sábias cabeças de reis. A expressão pobres corações de pastores está ligada à linha dos contemplativos, em oposição à linha reflexiva, conclusiva, das sábias cabeças de reis, dos que trilham o caminho dos sábios magos. Os magos estudaram os astros, concluíram a época do nascimento do Messias, depois viajaram até Belém. Já os pastores estavam no campo, olhando distraídos as estrelas, até mesmo sem vê-las, quando a revelação do anjo lhes chega, quer dizer a face de Deus (os anjos) tira seu véu, descobre-se. É o sentido da palavra descoberta. E os pastores ouvem: “Hoje vos nasceu na cidade de Davi um Salvador, que é Cristo Senhor… encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada numa manjedoura”. Eles simplesmente correm e acham o Menino. Continuar lendo “Contemplando – “Des-cobrindo””

Quem somos?

por Ruth Salles

 

Deus nos cria, nos emana dele como o sol emana seus raios. Cada raio emanado por Deus é um ser criado por Ele. A essa centelha divina damos vários nomes, conforme a crença, mas o nome mais conhecido é alma. Na ioga se fala em ser central, e também chamamos a alma de Eu superior, ou Eu verdadeiro. Porém quando esse Eu verdadeiro, essa alma, nasce como ser humano, é de tal forma “envelopado” pelo seu corpo físico ou mineral, pelo seu corpo orgânico ou vegetal (ou corpo ilusório onde circula o prana, no dizer nos hindus) e pelo seu corpo emocional ou animal (ou corpo ilusório de desejos, no dizer dos hindus), que ele próprio mal se reconhece. Quando criancinhas, nós nos acostumamos a sentir nossa estrutura corpórea, a mover a cabeça, as pernas e os braços; depois percebemos o comportamento de nosso organismo, a digestão, a dor de barriga, a dor de cabeça, percebemos que podemos ver, ouvir, etc… Continuar lendo “Quem somos?”

Sobre a oração do Pai Nosso

De fontes várias, inclusive de mim mesma.

por Ruth Salles

Desde muito jovem, imaginei o que chamamos Deus como um ponto central no espaço que, em dado momento, se expandiu doando-se a si mesmo e gerando o universo na periferia de uma imensa esfera, como se esse universo fosse o reflexo, o espelho desse Ser criador. Anos depois li, num livrinho para leigos sobre Einstein, que o universo está na periferia de uma espécie de esfera, e que ele está em expansão e depois deverá haver uma retração. Ora, isso é o mesmo que dizem os hindus a respeito de Brahma: que o universo é a sua respiração; que ele expira e depois inspira o universo. Daí, fiquei muito contente, achando que Einstein, os hindus e eu estávamos de acordo! Que jovenzinha metida eu era!

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O que contam sobre São Micael os camponeses da Normandia

Lenda francesa de uma coleção de Nora Stein

traduzida do espanhol por Ruth Salles

Há muito tempo, São Micael e o Diabo eram quase vizinhos e, numa noite de inverno, estando ambos sentados lado a lado, aborreceram-se um com o outro. Satanás vangloriou-se, dizendo que seu poder era ilimitado, e São Micael por sua vez replicou, dizendo que somente Deus era Todo-poderoso.

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Onde colocaram o verbo pôr?

por Julia de Mello e Souza

Minha saudosa prima Julia de Mello e Souza foi professora de línguas neolatinas e escreveu várias crônicas. Ia ainda escrever uma chamada “Que fim levou o fim”, mas não sei se teve tempo. É que os dicionários já aceitam a palavra “final” como substantivo, quando ela era adjetivo da palavra “fim”. No entanto, a palavra “inicial” nunca virou substantivo. Ninguém diz “No inicial do ano”. Mas… por enquanto aí está sua outra crônica, que comenta o uso errado do verbo colocar. Pois colocar é pôr num local, aliás, como copiloto – que ajuda o piloto – colocar é ajudar (em geral com as mãos) a pôr num local, como colocar o copo na pia ou o livro na estante.

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Bandeira do Brasil

Porque verde e amarela?

por Ruth Salles

Vimos tanto a BANDEIRA DO BRASIL nas Olimpíadas, que eu me pergunto: Quem sabe a quem devemos o desenho de nossa bandeira e o que significam as cores? Costumavam dizer que quem a desenhou foi José Bonifácio de Andrada e Silva, e um poeta até explicou que o verde representava as matas, e o amarelo, o ouro. Mas não foi bem assim. 

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Por que o casamento na festa de São João?

Há alguns anos atrás, eu ainda gostava de cantar nostalgicamente a modinha junina:

Desenho de lousa da professora Beatriz Retz.

por Ruth Salles

Mês de junho, mês de frio,
quanta folha pelo chão.
Cada uma tem um fio
que me aperta o coração.

Mês de junho, São João…
Quem me dera ser pequeno!
Que saudades do clarão
da fogueira no sereno!

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Meu Natal, minha Quaresma, caminho para a Páscoa

Reflexão…

por Ruth Salles

No Natal, nasci. Nasci para a consciência, maior a cada ano, de que sou um ser espiritual.

Mas, e agora? Agora estou plantada no mundo como uma pessoa muito enredada, muito complicada, e como vou conseguir fazer valer minha descoberta deste novo nascimento?

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Sobre ser professora no início do século XX

Simplicidades e complicações

por Ruth Salles

Minha avó materna, a professora paulista Carolina Carlos de Toledo, casou-se com o professor carioca João de Deus de Mello e Souza e era, no fim do século XIX e no início do século XX, a professora da Escola Pública de Queluz, no vale do Paraíba. Continuar lendo “Sobre ser professora no início do século XX”