O passeio da Gotinha D’Água

Ruth Salles

Esta peça foi feita a pedido da professora Heloísa Borges da Costa para o 2º ano, segundo suas ideias e aproveitando alguns versos da própria Heloísa. A música pode ser feita pelo(a) professor(a) de música.


PERSONAGENS

Coro / Gotinhas / Nuvem / Chuva / Fonte / Rio / Cachoeira / Mar / Sol.

CORO (canta):
“Lá vão as gotinhas d’água
balançando pelo ar.
Numa nuvem bem sentadas,
todas querem passear.
A nuvem depressa voa
como um floco de algodão.
Vai gingando e muda a forma,
e as gotinhas também vão.”

GOTINHAS:
– A nuvem ficou escura…
Já virou nuvem de chuva.
Nossa aventura começa.
Vamos descer bem depressa!
Vamos ver a linda terra
cheia de casas, de gente,
de bichinhos, de florestas,
de flores resplandecentes!

NUVEM:
– Eu deixo todas vocês
caírem de uma só vez.
Meu algodão vira um véu
que vai descendo do céu.
Meu chuvisco é quase nada;
mas depois é chuvarada.

GOTINHAS:
– Oba! Oba! Que alegria!
Escorregamos num fio.
No chão batemos agora
num leve sapateado:
plic-plic bem macio;
plic-ploc bem molhado.

CHUVA:
– Dou um concerto de graça
enquanto danço um bailado:
toco tambor na vidraça
e marimba no telhado.
Meu flautim também ressoa
nas folhas, junto com o vento.
Cada gotinha se escoa
e vai pela terra adentro.

CORO (fala):
– Dentro da terra é escuro.
Vocês têm medo, gotinhas?

GOTINHAS:
– Que nada! Rimos de tudo!
Em nossa pele fininha
a mamãe-terra faz cócega.
Ela é amiga nossa.
As gotas que nela afundam
vão formando longos túneis.
Assim, com força e coragem,
abrimos nossa passagem!
Olhem quanta luz defronte!
Pronto! Aqui fora é tão lindo…
Já formamos uma fonte
com as gotas que vêm saindo.

FONTE:
– Formo logo um riachinho,
que já vira um ribeirão.
Gotinhas, cuidem dos peixes
que nadando aqui estão.

GOTINHAS:
– O peixe escorrega em nós,
seu rabo nos faz dançar.
E, em nossa água doce,
as crianças vêm brincar.

CORO:
– Quantos regatos chegando
com um canto doce e macio!
Por entre pedras e arbustos,
vão formar o grande rio!

RIO:
– A cada curva que faço,
vou requebrando faceiro
às vezes danço um bolero,
às vezes sambo ligeiro.
De repente vou saltando,
puladinho, um tchá-tchá-tchá.
E as gotinhas vão dançando,
cantando “chuá-chuá”.

GOTINHAS:
– Bem que sentimos saudade,
no fundo do coração,
daquela nuvem branquinha
parecendo um algodão.
Mas vamos descendo a serra!
E agora? Que pressa é essa?
Quem é que está nos chamando,
nos puxando ou empurrando?

CACHOEIRA:
– Sou eu! Uma cachoeira
que respinga lá no fundo.
Desçam, desçam na carreira,
vão passear pelo mundo!

GOTINHAS:
– Quanta espuma lá em baixo…
Oba! Já estamos voando!
Toda a água rola em cachos
e depois vai-se acalmando.

RIO:
– O rio é como uma cobra:
serpenteia em muitas voltas.

GOTINHAS:
– Abrimos um vale fundo
com as voltas que o rio faz,
Aprendemos sobre o mundo,
gente, plantas e animais.
Agora sabemos bem
onde queremos chegar:
vamos indo, sempre em frente,
nos lançar no grande mar.

MAR:
– Queridas gotinhas d’água
que estão agora a chegar,
entrem logo em minhas águas
e venham formar o mar.
Quem quer sentir, afinal,
o ardidinho do sal?
Minhas ondas dão na praia,
depois voltam para mim.
É um eterno vaivém
o meu caminho sem fim.

GOTINHAS:
– Lá no céu, o sol brilhando
também está nos chamando.

SOL:
– O meu manto é como um véu
que traz vocês para o céu.

GOTINHAS:
– Mais leves vamos ficando
e agora estamos voando!
Nova nuvem formaremos,
como um floco de algodão.
E nela descansaremos
viajando na amplidão.
Mas, quando ela escurecer,
quando menos esperamos,
outra vez nós passeamos
a chover, chover, chover…

F I M