O sol e o vento

Fábula de Esopo

Versão em versos de Ruth Salles traduzida da narração de Johann Gottfried Harder

O Sol e o Vento apostavam
qual dos dois era o mais forte
e qual dos dois retirava
de um viandante o capote.

Primeiro soprou o Vento,
mas era em vão que soprava,
pois o homem, friorento,
mais seu capote fechava.

Então o Sol resplendente,
seus doces raios lançando,
veio aquecer lentamente
o homem que ia passando;

o qual, em dado momento,
se despojou do capote,
revelando ao Sol e ao Vento
qual dos dois era o mais forte

 

Versão original em prosa

Um dia, o vento de norte discutia com o sol sobre qual deles seria o mais forte. Nenhum, na sua longa contenda, queria reconhecer a superioridade do outro. Decidiram então submeter a uma prova o poder de cada um.

O primeiro que conseguisse tirar a capa de um viajante seria o vencedor. O vento norte começou a soprar furiosamente acompanhado de fortes pancadas de chuva, mas, em vez de tirar a capa do viajante, fez com que este se abrigasse cada vez mais e quanto mais soprava, mais ele se embrulhava.

Chegou então o momento do sol dar as suas provas. Começou logo a convergir seus raios sobre a cabeça do pobre homem com tal ardor, que o obrigou a tirar a sua capa e sentar-se à sombra de uma árvore, transpirando e ensolarado. Foi o sol então o vencedor.

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