O Tamanduá-mirim

poema de Ruth Salles

É um segredo pra vocês:
os índios sabiam nem dançar
e muito menos cantar;
brincavam de combater
se queriam festejar.

Mas certo dia, ao redor
de um pinheiro velho e alto
viram varas bem de pé
,se movendo e dando saltos.

Giravam, se dispersavam,
de novo se reuniam
e, enquanto assim dançavam,
diversos sons emitiam:

Emi no tin, vê, ê, ê
Andô chô caê voá
Ha ha ha
Emi no tin, vê, ê, ê.

Tudo isso os caiurucrês
aprenderam de uma vez
e, em varetas segurando,
foram dançando e cantando.

E fizeram instrumentos:
a buzina era caquir
e,a flauta chamava coque,
maracá era xií,
e chocalho, otorerê.

Mas, quem será que ensinara
canto e dança para as varas?
E os caiurucrês, assim,
escondidos espiaram…

E, junto ao pinheiro, acharam
o tamanduá-mirim,
chamado de cacrequim.
E ele dançou ao redor
e cantou sem nenhum medo!
Era ele o professor.
Foi desvendado o segredo.

E o tamanduá-mirim,
chamado de cacrequim,
por sua sabedoria,
que provém da antigüidade,
é o pai da humanidade,
dizem os caiurucrês.
É um segredo pra vocês!

 

 

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