Os dois moinhos

Peça de Ruth Salles

Peça sugerida para ser representada por crianças de 9 anos, sobre o trabalho dos moinhos antigos: o de vento e a roda d’água. O moinho de vento, além de girar as pás ou asas, move-se também ao sabor do vento.

Cada um dos dois moinhos é representado por várias crianças, que, para mostrar o movimento deles, podem fazer uma bela evolução em cena. O coro sempre fala junto com as personagens que representam na frente. A música tem o ritmo da dança do “coco”. Peça sugerida para crianças de 9 anos.

O vídeo mostra a música da peça Os Dois Moinhos, de autoria de Ruth Salles, cantada pelo 3° ano, alunos da professora Tatiana Galdino Miranda, da escola EMEF Antônio Gonçalves das Neves, em Espírito Santo do Turvo – SP.

PERSONAGENS:
Coro, moleiro e sua mulher, burrinho, lavrador, roda d’água, camponesa, padeiro, criança, moinho de vento, gotas d’água, vento. Quando cada personagem fala, o coro acompanha.

MOLEIRO (com a mulher, aponta para o burrinho que vem vindo com o lavrador):
– Lá vem vindo carregado
o burrinho meu amigo!
Com um saco em cada lado,
vem trazendo os grãos de trigo.

BURRINHO (sacudindo a cangalha e falando com o moleiro):
– Com o lavrador,
venho ao teu moinho.
Por favor, moleiro,
mói o meu grãozinho.

LAVRADOR (tirando o chapéu para o moleiro e lhe entregando os dois sacos):
– Eh, bom dia, amigo!
Separei na eira
o joio do trigo,
malhando as espigas
da melhor maneira.

MOLEIRO (pegando os sacos):
– Esse grão vens trazendo
vou moê-lo muito bem
em meu moinho de vento,
na roda d’água também.

GOTAS D’ÁGUA (correndo depressinha):
– A água do rio vaza,
no canal já vai entrando;
passa junto à tua casa,
roda d’água, e vai rolando…

RODA D’ÁGUA (movimentando-se):
– E na roda caem já,
um pouquinho em cada pá;
e as pás vão balançando,
e a roda vai girando…

MULHER DO MOLEIRO (enquanto a roda se movimenta):
– Minha roda como é bela
quando a água a faz girar!
E o sarrafo preso nela
já se move devagar.

MOLEIRO (enquanto a roda se movimenta):
– Tem na ponta uma pedra
que já bate em outra pedra.
E o nome delas é mó.
Entre as duas mós, então,
ponho o trigo e môo o grão.

LAVRADOR (retirando a quirera):
– A quirera, na moagem,
é o grão grosso demais.
Vai servir para forragem,
alimento de animais.

CAMPONESA (retirando a sêmola):
– Já a sêmola é mais fina.
Eu pego a colher de pau,
misturo leite, cozinho
e assim faço o mingau.

PADEIRO (pegando a farinha):
– Mas a mó, moendo mais,
torna bem fininho o grão.
Com a farinha que ela faz,
vou assar o nosso pão.

CRIANÇA e VENTO (correm; a criança agita os braços, o vento agita véus):
– Lá vem vindo o vento!
Voando ele vem!
– Moinho de vento,
trabalha também!

MOINHO DE VENTO (movimentando-se):
– Entre minhas mós,
põe o trigo então.
Logo, logo após,
vou moer o grão.
Giro minhas asas,
viro minha casa,
pois me movimento
ao sabor do vento!

TODOS (cantam):
“- Gira, moinho de vento,
lá no alto da colina!
Dá-nos um bom alimento
com tua farinha fina.
– Roda d’água, aqui no vale,
junto ao rio vai moendo!
Que tua voz não se cale.
Quero ouvir a mó batendo.
Quero ouvir os dois moinhos
ronronando aqui e lá.
Pás e velas, de mansinho:
pam-pam-pam e plá-plá-plá…”

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