Pica-pau

poema de Ruth Salles

Madrugada, lá na mata
já se escuta o bate-bate:
bica-bica, pica-pica,
tamborila o pica-pau.

Sobe, sobe, pelo tronco,
de soquinho, de pulinho…
Quede o oco? Quede o podre?
Quede o tronco mole-mole?

“Ri-di-di-co!” “Chan-chã!”
“Cri-cri!” “Bi-i-irro!”
Dá risada, grita, grita
preparando a picareta.

De topete colorido
rebrilhando sob o sol,
quando chama a companheira
tamborila de mansinho:
bate-bate, pica-pica…

Olha o ninho! Olha o ninho!
Lá vem ela, vem voando,
ondeando pelo ar.
Madrugada, lá na mata,
já se escuta o pica-pau:
bate-bate, pica-pica…
“Ri-di-di-co!” “Chan-chã!”

 

 

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