Projeto Dom da Palavra – objetivo e formato

Formação Continuada – para professores do ensino infantil e fundamental do 1º ciclo.

O projeto Dom da Palavra começou a ser planejado em 1999, na virada do milênio, por um grupo de educadores que tem por ideal contribuir de forma efetiva para melhorar a qualidade da educação infantil e fundamental no Brasil, especialmente na rede pública. Em 2003 realizamos um projeto piloto, na Escola de Comunicação e Artes da USP, em 2004 e 2005 o projeto foi implantado com sucesso no município de Itapecerica da Serra – SP, e na Escola Estadual Dom Agnello Cardeal Rossi, em São Paulo. Em 2006, 2007 e 2008 o projeto foi realizado no município de Espírito Santo do Turvo – SP. Em 2008 também foi realizado um módulo nos municípios de Embu Guaçu – SP e Timburi – SP.

Vídeo de apresentação do projeto, feito em 2005

Em todos os municípios o projeto alcançou resultados muito bons. Para registrar o histórico e preservar toda experiência do projeto, Rubens Salles, seu coordenador, realizou um mestrado na Universidade Mackenzie, concluído em 2010, que você pode conhecer AQUI.

Objetivo

O objetivo do projeto Dom da Palavra é enriquecer a didática de professores do ensino infantil e do ensino fundamental, 1º ciclo, da rede pública, com práticas que vão ajudá-los a trabalhar com seus alunos de forma mais prazerosa e produtiva. Eles aprendem a usar exercícios de ritmo, poemas, histórias, jograis, peças teatrais, trabalhos manuais e outras atividades artísticas, como instrumentos pedagógicos, para ensinar de forma lúdica diversos conteúdos curriculares. Aprendem também a conhecer melhor as necessidades das crianças, de acordo com sua idade e temperamento, conseguindo assim desenvolver nos alunos algumas condições fundamentais para a aprendizagem efetiva, como a harmonização, a motivação e o envolvimento ativo.

Este conjunto de práticas tem a linguagem oral como seu fio condutor, e ao aprender a aplicá-lo, o professor também aprende como a sua PALAVRA pode ter o DOM de acolher, dar segurança, harmonizar, motivar, cativar, alegrar e fortalecer seus alunos, para melhor ensiná-los e educá-los.

A partir do 1º dia do projeto o professor já pode começar a aplicar as práticas apresentadas, com sua classe, e ver os resultados. Trata-se de técnicas didáticas que vêm sendo desenvolvidas há mais de 60 anos, no Brasil, por escolas que usam a Pedagogia Waldorf, com ótimos resultados.

Formato

O projeto Dom da Palavra é composto por um seminário anual com cerca de 60 horas aula, para grupo de até 30 professores, e assessoria individual a cada participante, com visita a cada um, em sua sala de aula. O trabalho é feito por dois professores capacitadores atuando em conjunto, e as aulas são ministradas aos sábados, ou períodos de férias e feriados, sempre de forma alternada, para que os professores participantes possam praticar as técnicas aprendidas com suas classes de alunos, durante o transcorrer do curso.

Os participantes também têm acesso a conteúdos de qualidade literária, como poemas, histórias, jograis e peças teatrais, que foram criados para uso pedagógico, e adequados a cada classe do ensino fundamental.

Importante

Os capacitadores deste projeto são professores com experiência prática em sala de aula, e que estão atuando em escolas Waldorf, onde as atividades artísticas são utilizadas diariamente como instrumento pedagógico. Também é interessante saber que um professor Waldorf segue com sua classe da 1ª à 8ª série, tendo assim uma grande experiência sobre as práticas didáticas adequadas para cada idade.

Benefícios para os professores

As práticas pedagógicas ensinadas no projeto Dom da Palavra são de aplicação imediata pelos professores, com seus alunos, o que permite que eles comecem logo a colher os resultados. Além de aprender a usar vários elementos artísticos como instrumentos pedagógicos, aprendem também técnicas para harmonizar sua classe, conhecer melhor o temperamento dos seus alunos e tornar suas aulas mais interessantes. Também têm acesso a conteúdos de qualidade literária, para aplicar neste trabalho. Todos que participaram de nossos seminários, e que puseram em prática com seus alunos os ensinamentos aprendidos, tiveram bons resultados. Veja o Histórico do projeto.

Outro importante benefício para os professores participantes foi o aumento de sua autoestima. Pudemos acompanhar de perto esta transformação, no decorrer dos seminários que já realizamos, verificando que muitos professores que antes tinham dificuldades de se relacionar com seus alunos, melhoraram sua didática e começaram a se sentir melhor como educadores.

Benefícios para os alunos

Hoje, numa época de crescente banalização da língua escrita e falada, este projeto propõe o reencontro dos alunos com textos de qualidade impecável. A fala liga o ser humano ao mundo, ao próximo e a si mesmo. Por menor e mais simples que seja, um poema pode preencher de sentido e significado o aprendizado. Quando dito em coro na sala de aula ajuda a harmonizar a classe e levar cada aluno a sentir que faz parte de um todo, pois os ritmos, os sons rimados e o falar coletivo constituem elementos de equilíbrio e concentração.

Em seu dia-a-dia a criança necessita fundamentalmente de ritmo, e também precisa aprender os conteúdos através de uma ligação com seus sentimentos. Aquilo que uma criança não vivencia, aquilo com que ela não se envolve ou não pode estabelecer uma ligação afetiva, será algo meramente decorado ou mecânico e tenderá a ser esquecido com o tempo. Aprendendo matemática fazendo de exercícios rítmicos, ciências e gramática da língua portuguesa declamando poesias e jograis, história e literatura representando peças teatrais, os alunos aprendem de fato, e o principal; passam a gostar de aprender. Como já dizia Aristóteles, “nada há no intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos.”

Replicabilidade

Estamos abertos a consultas para apoiar a implantação deste projeto, desde que haja alguma escola Waldorf na região disposta a sediar o trabalho, e com professores interessados em atuar como formadores.

“Educar não é encher um balde. É acender um fogo”. (Heródoto)