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O Cristo Redentor do Corcovado

por Ruth Salles

escrito para crianças que foram subir ao Corcovado

Desenho de lousa da professora Juliana Nogueira

Vocês sabiam que as antigas comunidades de cristãos ignoravam o dia do nascimento de Jesus?

Pois ficou então decidido escolher uma data, e a data escolhida foi 25 de dezembro, para substituir a festa com que os romanos comemoravam o nascimento do sol invencível (Natalis solis invictus), que desaparece à noite e ressurge de manhã. E, daí por diante, o nascimento de Jesus, que morreu e ressurgiu, é festejado nesse dia.
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Einstein os Hindus e Eu

por Ruth Salles

Parece-me que a maioria das pessoas imagina Deus como uma espécie de um ser diferente, mas como se fosse meio humano. Quando muito jovem, veio-me a ideia de Deus como algo esférico, porque a esfera é a forma mais perfeita que existe. Então contemplei estática essa ideia e me pareceu que a esfera era um ponto, um foco de luz no centro do espaço, e que, por vontade de se expandir (e expandir-se é amar) emitiu o universo, que ficou como que na periferia de uma grande esfera, como imagem refletida desse foco de luz, dessa Força Primordial. Pois não é que, anos depois, ao ler um livrinho para leigos chamado “O Universo e o Doutor Einstein”, encontrei lá essa ideia de universo como que na periferia de uma espécie de esfera, e que esse universo está em expansão e que depois haverá uma retração. Lendo então sobre os hindus, aprendi que, no deus Brahma, o universo é sua respiração. Ele o expira depois o inspira, havendo então uma parada chamada pralaya. Achei estranha essa semelhança entre os hindus e Einstein. Gostei tanto dessa ideia que me senti como um pontinho refletido da expansão da Força primordial, sendo o universo como que um espelho dessa Força. Há anos, contando isso a alguns netos, uma neta de 14 anos disse: “Vó, gostei da sua ideia de Deus redondinho.”

 

Carta a uma embaúba

por Pedro Paulo Salles

Integra o livro “Do Mulungu ao Manacá”, de Ruth Salles

Desenho de Pedro Paulo Salles

Querida Embaúba. Tão bela és tu, em teu porte esguio, arejado e fino, diferente de outras árvores em suas formas e folhas,… que até me inspiro a te escrever – em palavras de gente – neste seu dia. Árvores como você são muito importantes para as aves e outros animais… E vice-versa, é claro!… Sei que você produz uma grande quantidade de frutos escuros e alongados (parecem bananinhas, não é mesmo?), que há muito tempo são o alimento preferido do Macaco-Prego e das Preguiças, que te escalam diariamente (imagino as cócegas…), mas também de muitas outras espécies. Os teus grãos geram milhões de sementes e sua dispersão é feita por inúmeros vertebrados. Segundo dados da Embrapa (sabes o que é?…), você é uma das árvores com o maior número de animais dispersores da floresta. São aves, morcegos, macacos, preguiças e mais uma infinidade de seres que se alimentam de seus frutos e saem a fecundar a floresta com suas sementes…
Assim é!

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Sobre a oração do Pai Nosso

De fontes várias, inclusive de mim mesma.

por Ruth Salles

Desde muito jovem, imaginei o que chamamos Deus como um ponto central no espaço que, em dado momento, se expandiu doando-se a si mesmo e gerando o universo na periferia de uma imensa esfera, como se esse universo fosse o reflexo, o espelho desse Ser criador. Anos depois li, num livrinho para leigos sobre Einstein, que o universo está na periferia de uma espécie de esfera, e que ele está em expansão e depois deverá haver uma retração. Ora, isso é o mesmo que dizem os hindus a respeito de Brahma: que o universo é a sua respiração; que ele expira e depois inspira o universo. Daí, fiquei muito contente, achando que Einstein, os hindus e eu estávamos de acordo! Que jovenzinha metida eu era!

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O que contam sobre São Micael os camponeses da Normandia

Lenda francesa de uma coleção de Nora Stein

traduzida do espanhol por Ruth Salles

Há muito tempo, São Micael e o Diabo eram quase vizinhos e, numa noite de inverno, estando ambos sentados lado a lado, aborreceram-se um com o outro. Satanás vangloriou-se, dizendo que seu poder era ilimitado, e São Micael por sua vez replicou, dizendo que somente Deus era Todo-poderoso.

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Onde colocaram o verbo pôr?

por Julia de Mello e Souza

Minha saudosa prima Julia de Mello e Souza foi professora de línguas neolatinas e escreveu várias crônicas. Ia ainda escrever uma chamada “Que fim levou o fim”, mas não sei se teve tempo. É que os dicionários já aceitam a palavra “final” como substantivo, quando ela era adjetivo da palavra “fim”. No entanto, a palavra “inicial” nunca virou substantivo. Ninguém diz “No inicial do ano”. Mas… por enquanto aí está sua outra crônica, que comenta o uso errado do verbo colocar. Pois colocar é pôr num local, aliás, como copiloto – que ajuda o piloto – colocar é ajudar (em geral com as mãos) a pôr num local, como colocar o copo na pia ou o livro na estante.

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Bandeira do Brasil

Porque verde e amarela?

por Ruth Salles

Vimos tanto a BANDEIRA DO BRASIL nas Olimpíadas, que eu me pergunto: Quem sabe a quem devemos o desenho de nossa bandeira e o que significam as cores? Costumavam dizer que quem a desenhou foi José Bonifácio de Andrada e Silva, e um poeta até explicou que o verde representava as matas, e o amarelo, o ouro. Mas não foi bem assim. 

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Por que o casamento na festa de São João?

Há alguns anos atrás, eu ainda gostava de cantar nostalgicamente a modinha junina:

Desenho de lousa da professora Beatriz Retz.

por Ruth Salles

Mês de junho, mês de frio,
quanta folha pelo chão.
Cada uma tem um fio
que me aperta o coração.

Mês de junho, São João…
Quem me dera ser pequeno!
Que saudades do clarão
da fogueira no sereno!

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Meu Natal, minha Quaresma, caminho para a Páscoa

Reflexão…

por Ruth Salles

No Natal, nasci. Nasci para a consciência, maior a cada ano, de que sou um ser espiritual.

Mas, e agora? Agora estou plantada no mundo como uma pessoa muito enredada, muito complicada, e como vou conseguir fazer valer minha descoberta deste novo nascimento?

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Sobre ser professora no início do século XX

Simplicidades e complicações

por Ruth Salles

Minha avó materna, a professora paulista Carolina Carlos de Toledo, casou-se com o professor carioca João de Deus de Mello e Souza e era, no fim do século XIX e no início do século XX, a professora da Escola Pública de Queluz, no vale do Paraíba. Continuar lendo “Sobre ser professora no início do século XX”