Ver com os olhos do Coração

por João Batista Conrado

Fotocomposição de João Batista Conrado

É dever de quem ensina ser referência, mostrar a direção. Criar as condições mais simples possíveis para que a aprendizagem seja viva, intensa, provocante. Inesgotável.

Neste desafio de orientar está a perspicácia de quem ensina. Nunca trazer as coisas já acabadas, explicadinhas, receitas de bolo. Na realidade, mais importante do que o resultado final são os processos, a trajetória de quem está aprendendo e apreendendo.

A cada nova oportunidade de crescer, ter em mente que tudo evolui num procedimento gradativo de despertar, filtrar o essencial e deixar vir à tona a imagem daquilo que naturalmente vivenciamos e que incorpora com aquilo de que mais precisamos.

É uma arte fina de perceber a intensidade das coisas, das descobertas, da dinâmica da Vida, que com certeza é inesgotável e intensamente singular. Estar presente e internalizar todo o fruto de nossa comunhão com aquilo que é o objeto de nossa pesquisa.

No que diz respeito a nossas crianças é pura poesia, em essência, possibilitar um ambiente de segurança, mas simultaneamente um momento em que a relação espaço tempo tenha uma conotação apurada.

Uma atmosfera aonde a mesmice de nosso cotidiano não venha interferir na dinâmica daquilo que estamos vivenciando. Um “Tempo atemporal” onde tudo que realizamos passa a ter uma linguagem imensamente vívida e verdadeira.

Ressonância. É fundamental que haja ressonância em tudo aquilo que realizamos. É este pulsar que move o coração com mais intensidade e dá ao nosso viver uma interação sadia com o mundo que nos circunda. É esta energia que move as coisas. Move a Vida e faz a diferença. Dá sentido à nossa existência.

Lógico que a criança não percebe isto através da razão, pois estes momentos são intuitivamente oriundos da essência da Alma. É um misto de alegria e realização que permeia todo nosso ser.

É uma comunhão com a verdade, nossa essência, o sagrado, onde o ato de realizar algo adquire uma experiência única. Onde nossas energias adquirem o equilíbrio revelando harmonia, fluidez entre realização interior e a nossa realidade exterior.

Aquele que se propõe a orientar, no dizer de “Jesus”, é como o Sal da Terra. É ele que dá o sabor e sustança conduzindo a criança com zelo, disposição e generosidade. É seu dever detectar até aonde cada criança pode ir na sua experimentação e onde sua mediação passa a ser um fator decisivo como referencia e motivação para uma aprendizagem saudável e interativa.

Estar presente deixando cada aprendiz caminhar com suas próprias pernas e só assumir o leme onde a capacidade de cada criança alcança o seu limite naquela iniciativa, reflexo de sua experiência de vida…

Quem vê com os olhos do Coração vê o mundo com os olhos de Deus!

 

 

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